Voltando às atividades de escritor, vou falar um pouco do meu dia de sábado aqui em Turim, que foi bem movimentado. Pra começar, eu devo dizer que na sexta-feira a gente tinha ido na casa do Ricardo, um colorado que conhecemos aqui. Comprei 8 Stella Artois de 660 ml, a 1 euro cada uma e fomos confraternizar com ele e mais um colega venezuelano. Bebemos bastante e demos uma volta na cidade depois, mas por causa das férias não tinha quase ninguém nas ruas. Voltei pra casa umas 4:00, fiz um hamburger e quando fui escovar os dentes pra dormir, fui ligar a luz do banheiro e powwww. Um estouro! Tomei um cagaço, escovei os dentes no escuro e fui dormir. Tirei tudo das tomadas, mas não quis fazer nada naquela hora.
Acordei umas 11:00 do dia 21 de agosto. Um dia muito especial, pois completava 6 anos da primeira vez que eu a Fran ficamos. Um dia de celebração. Bom, a primeira coisa que fiz quando acordei foi dar uma olhada no interruptor da luz. Ele tinha caído no dia anterior. Botei pra posição normal dele e fui testar as luzes. Nada. Testei as tomadas e nada. Ué! Pensei um pouco, liguei o notebook para dar uma pesquisada, mas não encontrei nada de relevante. Resolvi ir na vizinha pra ver se, por acaso, ela não estaria sem luz também. A vizinha do lado é uma velha de uns 70 anos eu acho. Toquei na campainha, ela perguntou de dentro quem era. Eu disse que era o vizinho do lado e ela abriu a porta. Logo me chamou pra entrar e não parava de falar. Nisso eu já vi que a luz da casa dela estava acesa. Antes de perguntar meu nome ou coisa assim, já me deu umas cortinas e pediu para eu pendurar pra ela. Subi na escada e amarrei, levei a escada de volta. Ela falava muito rápido, eu não entendia nada e mal conseguia falar também. Ela percebeu que eu não estava entendendo e disse várias vezes: a tua irmã fala bem italiano, ela me entende. Parecia meio braba já. Bom, depois de trabalhar, disse pra ela que estava sem luz no meu apartamento, expliquei como foi. Ela me disse que eu deveria falar com a zeladora, mas antes me fez um café e ficamos conversando por uns 20 minutos. Me perguntou até quando eu ficaria, o que fazia ali e mais um monte de coisas. Me despedi e voltei pra função da luz.
Desci na zeladora, uma mulher bem antipática, toquei na campainha e expliquei a situação. Ela subiu comigo até o nosso apartamento que é no 4º andar, olhamos a chave da luz, ela viu, mas disse que não sabia o que era. Descemos no porão do apartamento, onde fica a chave geral. Todas estavam na posição correta, então não tinha nada de errado. Ela disse que ia ver o que fazer e eu fiquei de tocar na casa dela uns 20 minutos depois. Voltei por ap e fiz mais testes, mas sem nem saber o que estava fazendo. Nada deu certo e toquei lá na mulher de novo. Ela disse que não tinha o que fazer e que eu deveria ligar para a companhia elétrica, pois deveria ser um problema de pagamento. Perguntei se ela sabia qual era a companhia e ela me disse que cada apartamento faz um contrato com uma determinada Cia. Pode ser a mesma ou não, mas que eu deveria procurar uma fatura. Disse pra ela que eu não tinha. Novamente ela disse que não podia fazer nada. Enquanto isso a geladeira descongelava. Fui de novo naquele porão, bem escuro por sinal. Sinistro! Não encontrei nada de importante, mas vi que tinha umas 15 portas, todas numeradas. Contei o número de apartamentos e concluí que era uma pra cada apartamento. Achei que ali poderia ter um interruptor geral e que pudesse ter caído também.
Cheguei em casa e liguei pra minha prima, a proprietária do cafofo. Ela não atendeu, então mandei e-mail e recado no orkut. Resolvi ligar pro Giuseppe para saber se ele poderia me dar uma “luz”. Ele me “esclareceu” que existia sim outro interruptor geral, que ficava “sotto”, que em italiano significa embaixo. Com certeza seria uma daquelas portas, mas e a chave, onde estaria? Tinha um molho de chave com umas 30 diferentes e 15 portas fechadas. Ia passar o dia inteiro tentando achar a maldita. Achei um chaveiro que tinha, além das chaves do apartamento, mais duas pequenas. Achei que poderia se uma delas. Pensei que a zeladora pudesse saber. Lá fui eu tocar de novo na casa dela. Atendeu com aquela cara de cú e eu falei das duas chaves extras. Ela perguntou de novo da fatura e eu disse, novamente, que eu não havia encontrado nenhuma. Ela pegou uma das chaves e, bem debochadamente, me disse que essa chave era da porta grande e me mostrou, abriu a porta, fechou, mexeu de um lado pro outro. Eu não estava nem aí pra aquilo. Pra mim era só dizer que não era e pronto. Vi que ela estava me provocando. Fiquei irritado, mas continuei firme. Ela disse que não sabia como me ajudar e perguntou se eu já havia ligado pra número da fatura da conta. Nisso eu perdi a paciência e no meu bom italiano falei bem alto: MA IO NON HO TROVATTO IL BOLETTO (eu não encontrei a fatura). Ela baixou a bola e disse que tinha entendido. Bom, desisti dela e fiquei aguardando a minha prima me ligar. O problema é que já fazia umas 7 horas que estávamos sem luz e a geladeira estava descongelando. Resolvi bater na campainha dos vizinhos um por um. Quase ninguém em casa, mas num deles eu vi que tinha barulho e toquei. Me desculpei por incomodar, expliquei a situação, disse que a comida estava descongelando e um cara se prontificou para ajudar. Disse que a solução deveria estar naquelas portas do porão, mas pediu para olharmos antes aqui no apartamento. Olhou o interruptor que eu havia mexido e mais abaixo, atrás de uma portinha preta, havia outro que estava pra baixo. Botei pra cima e plim, ligou tudo. Esse interruptor, o cara me explicou, é chamado de salva-vidas e deve ser desligado quando for fazer mexer em alguma tomada para cortar a corrente. Agradeci o cara e beleza. Resolvido o problema. Liguei a geladeira de novo e tudo certo.
Ma cosa fai ragatzzo?
ResponderExcluirO que aconteceu foi que caiu o disjuntor, com certeza...
Se deu um estouro a noite anterior foi pq teve algum corto-circuito e o disjuntor está para isso, também se confirma pelo nome da chave... "salva-vidas".
Beleza!